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Entrevista coletiva do presidente do PSDB, senador Aécio Neves

28 de maio de 2013

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Assunto: tumultos ocorridos nas agências da CEF para saque do Bolsa Família 

Há pouco mais de uma semana, o Brasil assistiu, perplexo, um grande tumulto em agências da Caixa Econômica, agências lotéricas, em cerca de 13 estado brasileiros, no mesmo momento, em outro continente, a presidente da República, com razão, falava da crueldade daquele ato que ela, mais uma vez, corretamente, chamava de criminoso. Passaram-se os dias e fomos confrontados com uma versão falsa da Caixa Econômica Federal dada no sábado, no calor daquele tumulto. O que assistimos ao longo dessa semana foi a confirmação de que a Caixa Econômica Federal, sem ter o cuidado de avisar quem quer que fosse, antecipou os pagamentos para todos os beneficiários do Bolsa Família. 

Mas o mais grave, além desse grave equívoco da Caixa, foi a Caixa não ter assumido com clareza a sua responsabilidade. E nós da oposição, que fomos até acusados, por uma ministra de Estado, de forma irresponsável, de estarmos criando uma central de boatos para difundir isso, estamos hoje cobrando que a presidente da República, senhora Dilma Rousseff, peça desculpas à população brasileira. E desculpas, em especial, aos beneficiários do Bolsa Família, que foram vítimas daquilo que ela chamou  um ato de crueldade, um ato criminoso. 

Nesse instante não são suficientes as palavras do presidente da Caixa Econômica Federal, que desde segunda-feira passada – ele próprio confirma – já tinha informações em relação ao que havia ocorrido e não passou essas informações para a opinião pública. Apenas depois que um veículo de comunicação nacional denunciou que os saques haviam sido liberados anteriormente é que a Caixa muda a sua versão. 

Na verdade, o que é lamentável é que assistimos mais uma vez, uma respeitável instituição, patrimônio do povo brasileiro, atuando em favor de um governo. A Caixa Econômica não é de um governo, porque os governos são circunstanciais. Ela é do Estado, portanto da sociedade brasileira, e como tal deveria agir. 

O que o senhor defende que seja feito então? 

Acho que nesse momento é claro que as apurações têm que ocorrer. A Polícia Federal, que nós respeitamos, deve rapidamente apresentar ao país o resultado dessas investigações. Se houve utilização de um telemarketing, que telemarketing é esse? Quem contratou? Quem passou para essa empresa o cadastro dos beneficiários do Bolsa Família? Ou se isso tem outra origem. Mas se foi na Caixa Econômica Federal, que a Polícia Federal aponte com clareza os responsáveis. 

Nesse instante, e nós não fazemos acusações levianas, nós da oposição não, nesse momento achamos que a presidente da República, que gosta tanto de uma cadeia de rádio e televisão, deveria colocar uma para pedir desculpas à população brasileira pelos equívocos do seu governo. 

Isso a meu ver é fruto desse aparelhamento excessivo da máquina pública que leva a desvios a pessoas que não estão qualificadas para determinados cargos. Isso não é um fato único. Tivemos no início do governo da Presidente Dilma, após denúncias da imprensa, seis ou sete ministros tendo de deixar seus postos. Tivemos recentemente do bicentenário Banco do Brasil, sendo condenado a prisão pelo Supremo Tribunal Federal. 

As denúncias em relação à Petrobras levaram que a própria base do governo, constrangida com o volume e a profundidade das denúncias, assinasse requerimento para uma CPI da Petrobras. Talvez esse fosse um gesto. A própria presidente da República, até por ter sido ela presidente do Conselho de Administração da Petrobras, no momento daquela inusitada aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, com prejuízo de mais de 1 bilhão de reais para a empresa, possa solicitar a instalação da CPI. Seria um bom momento para que ela mostre que a Petrobras agiu de forma correta durante todo este período. 

O senhor defende a saída do presidente da Caixa ou não? 

Não é papel da oposição. Tampouco sugeri nomes para entrar no governo ou sair do governo. Se a presidente se sentir confortável com alguém que, num espaço de poucos dias apresenta versões tão contraditórias, a responsabilidade é dela. Mas nesse momento é preciso que haja coragem para dizer: erramos e pedimos desculpa. É isso que os brasileiros esperam da presidente da República. 

O senhor acredita que a antecipação dos recursos pode ter gerado o boato? 

A Polícia Federal, que hoje recebeu através do seu diretor-geral, líderes da oposição, acho que admite esta hipótese. Não queremos avançar. O que estamos aqui é dizendo que a oposição que foi acusada levianamente por uma ministra de Estado reage cobrando investigação profunda, a definição por parte da Polícia Federal de quem são os responsáveis, mas, independente disso, já há algo grave. 

A Caixa Econômica Federal, segundo o presidente Jorge Hereda, desde segunda-feira passada, há uma semana, sabia que havia a antecipação da liberação dos recursos e apenas na quinta-feira, quando a Caixa é confrontada com uma outra versão é que ela muda. Na verdade mudou apenas na segunda-feira, a sua versão oficial. 

Isso por si só é motivo para que cobremos da presidente da República que assuma a responsabilidade, pelo menos, pelo desgoverno na Caixa Econômica Federal. 

Sobre a conclusão da apuração 

Temos de aguardar. Inclusive um líder na Câmara já recorreu ao Ministério Público para que também faça as investigações em relação à Caixa Econômica Federal. Solicitou inclusive também que o Banco Central proceda investigações em relação à Caixa Econômica Federal. Estamos usando as nossas instituições, que felizmente são sólidas, e que podem ajudar ao esclarecimento. O que queremos é o esclarecimento e que fique aí o ensinamento. Acho que é pedagógico esse processo. Não se pode politizar tudo. Não se pode encobrir erros e ineficiência com acusações a adversários. O Brasil não merece isso.