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Deputados do PSDB que integram CPMI da JBS lamentam silêncio de Wesley Batista na oitiva

8 de novembro de 2017

Os deputados do PSDB que integram a CPMI da JBS lamentaram que o empresário Wesley Batista tenha recorrido ao direito de não responder aos questionamentos dos parlamentares durante oitiva nesta quarta-feira (8/11), feita em conjunto com a CPI do BNDES. Ele alegou que seguiria orientação de seus advogados para ficar em silêncio, já que um complemento de sua delação premiada ainda está sob análise da Procuradoria-Geral da República.

Wesley está preso sob acusação de uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro às vésperas da divulgação da colaboração premiada dos executivos da empresa. Em sua chegada à CPI, o empresário se limitou a fazer uma fala inicial, na qual se disse vitimado, chegando a alegar que os delatores estão sendo perseguidos e punidos.

O deputado Izalci (PSDB-DF) afirmou que o empresário deveria, ao menos, explicar o que quis dizer com isso e lembrou que e-mails trocados entre ele e o e-procurador Marcelo Miller mostraram uma relação promíscua, nada republicana, entre os dois. Miller teria interferido diretamente na orquestração das delações, o que colocou o Ministério Público sob suspeição.

“Para o bem das instituições públicas, precisamos desvendar essa relação com o Ministério Público, com o que foi interceptado inclusive nos e-mails. A questão do Marcelo Miller é gravíssima. Por que ele não está preso? Não dá para entender. As indagações que faríamos eram sobre isso, sobre essa ligação com o procurador, se o Janot [ex-procurador-geral] sabia de algo”.

O tucano afirmou que alguém precisa dizer realmente a verdade, pois não é mais apenas representantes do Legislativo e do Executivo que foram “jogados na vala comum”, mas, o Judiciário e o Ministério Público estão sob questionamento e a sociedade quer saber se ainda pode confiar em alguma instituição. “Mas precisamos esclarecer isso. O MP está comprometido ou estamos falando de um só procurador?”. Sem resposta, Izalci afirmou que é preciso repensar os mecanismos que norteiam as CPIs para que os trabalhos dos colegiados não acabem sendo frustrados.

Mecanismos limitadores

O deputado Miguel Haddad (PSDB-SP) chegou a questionar Wesley Batista se ele acreditava que a holding de sua família teria obtido o mesmo sucesso se não tivesse obtido um “vínculo” com o poder público. O empresário se manteve em silêncio e, para Haddad, a atitude, que vem sendo recorrente, mostra a necessidade de se repensar o a legislação sobre o funcionamento de comissões de inquérito.

“Todas as vezes que um depoente é convocado e permanece em silêncio, ele na verdade não permite o andar dos trabalhos. Temos que criar mecanismos efetivos, se não fica o sentimento de que a CPI sempre termina em pizza. Sabemos que o objetivo não é esse, mas os mecanismos que hoje detemos não são suficientes. É algo que podemos avançar num futuro breve. Se necessário, que mexamos na Constituição Federal, pois são mecanismos limitadores os existentes hoje”, defendeu Haddad.

Convocação de políticos

Além de se queixar pelo silêncio de Wesley, o deputado João Gualberto (PSDB-BA) voltou a lamentar que nenhum político tenha sido convocado até agora para explicar relações escusas com a empresa. O tucano é autor de requerimentos que pedem oitivas com políticos apontados como beneficiários do esquema ilegal que envolve a JBS. Uma das sugestões de Gualberto é uma acareação entre Joesley Batista e o ex-presidente Lula.

O tucano aproveitou a presença de Wesley na CPI para questioná-lo sobre o início das irregularidades praticadas pelo grupo J&F. “Em 2002, a empresa já faturava R$ 2 bilhões, já era uma empresa rica. Quando foi que enveredaram para o crime, se não quando conheceram o então presidente da República [Lula]?”.

Diante da indagação de Gualberto, o presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), garantiu que todos os requerimentos serão pautados e que o colegiado terá tempo hábil para ouvir os que forem convocados.

Fonte: PSDB na Câmara