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Delação de Bené: Pimentel recebeu propina de R$ 14 milhões para favorecer empreiteiras no exterior

8 de junho de 2016

bene

Segundo delator, Odebrecht e OAS pagaram pela intermediação do petista quando era ministro do primeiro governo de Dilma Rousseff

Mais uma denúncia contra o governador Fernando Pimentel foi destaque na imprensa nacional nesta terça-feira (07/06), com divulgação de mais trechos da delação premiada do empresário Benedito de Oliveira, o Bené, operador do esquema de corrupção chefiado pelo petista. Bené está preso desde abril. Desta vez, trata-se de propina de R$ 14 milhões recebida por Pimentel das construtoras Odebrecht e da OAS para financiar a campanha eleitoral para o governo de Minas, na eleição de 2014. (Confira reportagem da revista Época: Bené afirma que caixa dois da campanha de Fernando Pimentel ao Governo de Minas movimentou R$ 45 milhões)

O relato foi feito aos investigadores da Operação Acrônimo em sua delação, que foi homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Pimentel já foi denunciado ao STJ por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com reportagens publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, Bené afirmou que quando Fernando Pimentel era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no primeiro governo Dilma Rousseff, negociou a liberação para a Odebrecht de recursos para financiamentos de obras no exterior, como a do metrô de Buenos Aires, na Argentina, e em Moçambique, na África.

De acordo com Bené, a propina foi recebida pelo petista em dinheiro vivo, em várias parcelas, e entregues em hotéis em São Paulo. Pimentel teria pedido inicialmente que o acerto ficasse entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. A cúpula da Odebrecht, ainda segundo o empresário, só autorizou o pagamento de R$ 12 milhões.

Trecho do depoimento de Bené divulgado pela imprensa também mostra que, em 2011, outra construtora, a OAS,  solicitou a Fernando Pimentel intervenção junto ao governo do então presidente do Uruguai, José Mojica, para participar da construção de um gasoduto naquele país. Como recompensa, a construtora pagou propina de R$ 3 milhões em forma de contribuição para a campanha de Pimentel ao governo de Minas.

Coincidência ou não, no dia 21 de abril deste ano, em solenidade da entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, o governador petista entregou ao hoje senador uruguaio José Mojica a maior honraria do estado, o Grande Colar da Inconfidência. Mojica foi o principal homenageado da solenidade.

Veja reportagem veiculada pelo Jornal Nacional

Leia matéria do jornal Folha de S.Paulo