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Aécio Neves diz que conta nos EUA não existe e pede a ministro Edson Fachin acesso à delação

1 de abril de 2017

George Gianni/Divulgação PSDB

George Gianni/Divulgação PSDB

 

“É uma afirmação falsa e criminosa porque isso não existe. Nem em Nova York, nem em outra parte dos Estados Unidos, em nem em qualquer outra parte do mundo. O que me interessa é a verdade”, diz Aécio

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, disse que é falsa, irresponsável e criminosa a acusação publicada neste sábado (1º/4) sobre a existência de uma conta bancária em Nova York em que teria recebido recursos da empresa Odebrecht. Em entrevista coletiva, o senador tucano anunciou que apresentou hoje uma petição eletrônica ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, solicitando acesso à íntegra da delação do ex-diretor da Odebrecht Benedicto Júnior e a apuração sobre o vazamento.

Ao lado do ex-presidente do STF Carlos Velloso e do ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira, seus advogados, Aécio Neves demonstrou sua indignação com a denúncia publicada pela revista Veja que cita a existência da suposta conta. A acusação foi negada já na noite de ontem pelo advogado do delator, Alexandre Wunderlich, por intermédio do advogado de defesa do senador, Albert Toron.

Aécio cobrou a apresentação de provas, como o número da conta e o nome do banco, e se dispôs a apresentar uma procuração para que essa investigação ocorra.

“É uma afirmação falsa, irresponsável e criminosa porque isso não existe. Nem em Nova York, nem em outra parte dos Estados Unidos, em nem em qualquer outra parte do mundo. O que me interessa é a verdade. E, por isso, estou peticionando, hoje ainda, ao ilustre ministro (Edson) Fachin, do STF, para que ele me permita acesso imediato à delação desse cidadão, do sr. Benedicto Junior, para que possamos saber o que ali consta, para que eu possa exercer o meu direito constitucional à defesa, e disso eu não posso abrir mão”, disse o senador.

Sobre a reportagem publicada na revista, o senador disse: “Propus aos editores que solicitassem ao repórter que fazia a apuração que trouxesse o nome do banco a qual eventualmente essa delação se referia, para que aí sim, pudéssemos, juntos – e eu me dispus a franquear uma procuração -, para que, identificado o banco, pudesse ali saber se existe ou não uma conta sob a responsabilidade de alguém da minha família ou próxima a mim. Essa reposta não veio”, destacou o senador.

Vazamentos parciais e ilegais

Durante a coletiva, o ex-presidente do STF Carlos Velloso leu nota assinada por Alberto Toron, que teria se certificado com o advogado de Benedicto Júnior de que a delação de seu cliente não menciona a existência da conta.

Assista

Aécio Neves – Parte 1

Aécio Neves – Parte 2

Veja também declarações feitas à imprensa pelo ex-ministro Carlos Velloso e pelo ex-procurador-geral da República, Aristides Junqueira

Leia abaixo os principais trechos da entrevista coletiva do senador Aécio Neves, em Brasília, neste sábado (1º/4). Clique AQUI e confira nota da assessoria do senador

Em primeiro lugar quero agradecer a presença de cada uma das senhoras e dos senhores aqui hoje, atendendo ao nosso convite. Quero agradecer de forma especialíssima a presença dos meus advogados, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Carlos Velloso, e do ex-procurador geral da República Aristides Junqueira de Alvarenga. Quero começar fazendo uma declaração que mostra a minha mais profunda indignação com uma matéria criminosa publicada hoje na capa de uma das mais importantes revistas semanais do país. Desde ontem, quando fui comunicado que a revista apurava esta matéria, que, além de um pout-pourri de outras matérias já publicadas largamente pela imprensa, e rebatidas firmemente por nós, apresentava o que eles chamavam de um novo fato. De que haveria um repasse de um recurso da Odebrecht para uma conta em Nova York sob a responsabilidade da minha irmã Andrea Neves.

Uma afirmação falsa, irresponsável, criminosa, porque isso não existe. Nem em Nova York, nem em outra parte dos Estados Unidos, em nem em qualquer outra parte do mundo. Propus aos editores da revista que solicitasse ao repórter que fazia a apuração que trouxesse o nome do banco a qual eventualmente esta delação se referia para que, aí sim, pudéssemos, juntos, e eu me dispus a franquear uma procuração para que, identificado o banco, pudesse ali saber se existe ou não uma conta sob a responsabilidade seja dela ou de alguém da minha família ou próxima a mim. Esta resposta não veio. Não tinham ou não conseguiram obtê-la.

Portanto, é muito mais difícil você se defender de algo tão genérico do que de algo específico. Insisti em que eles tivessem um prazo para identificar em qual banco esses depósitos seriam feitos porque, se a acusação de um determinado delator, se ocorreu isso, de que há um depósito em uma conta em um banco, veja bem, nos Estados Unidos, local mais impróprio para que atividades como essa pudessem ocorrer, é obvio que tem-se ali o nome do banco e até o número da conta. Nada disso apareceu. Repito, ofereci parceria para demonstrarmos, para desmoralizarmos essa farsa.

Não obstante isso, no correr do dia, o advogado Alberto Toron, que também me representa, sediado em São Paulo, conseguiu fazer contato com o advogado do pseudo delator que afirmou com todas as letras ao dr. Alberto Toron que não havia no depoimento do senhor Benedicto Júnior, qualquer citação, seja à minha irmã Andrea Neves, seja a qualquer conta em Nova York.

Vou pedir nesse instante que o ministro Velloso possa aqui ler bem rapidamente uma nota que lhe foi enviada essa manhã pelo dr. Alberto Toron para que seja distribuída aos senhores, e que fique documentado de forma absolutamente muito clara, sem qualquer dúvida, qual foi o contato que ele teve com o advogado do delator. Já que o dr. Velloso conversou também com o dr. Alberto Toron, na noite de ontem.

Ministro Carlos Velloso

Realmente ontem telefonei ao doutor Alberto Toron, depois ele retornou o telefonema a mim, e ele realmente distribuiu esta nota e autorizou que esta nota pudesse ser lida. “Reitero por escrito e para não deixar dúvidas que o advogado Alexandre Wunderlich me disse, ao telefone, ontem, que não havia qualquer referência à irmã do senador Aécio Neves na delação de seu cliente Benedicto Júnior, e tampouco a nenhuma conta pretensamente mantida por ela em um banco da cidade de Nova York. O advogado me disse que, em razão de cláusula de confidencialidade, também não poderia falar com a imprensa, e nem me mandar uma mensagem com o que me dissera, embora já tivesse informado à assessoria de imprensa da Odebrecht sobre a não-correspondência do vazamento com o teor das delações do seu cliente”.

Diante disso, realmente ficamos nessa situação estupefatos. Porque é uma notícia que realmente não corresponde à verdade. É dizer que o senhor Benedicto não teria dito isso em seu depoimento dado às autoridades da delação premiada que fez. Isto é preocupante. E representa, também, um atentado às instituições. Porque a delação, que eu sempre disse, delação premiada, é uma instituto bom. Propicia o indiciamento dos chefes das organizações criminosas. Agora, se persistirem esses vazamentos – no caso, um vazamento falso, pelo que disse o advogado do delator – se persistir isso, vamos ter uma banalização das delações premiadas.

É importante, portanto, que o Ministério Público, o chefe do Ministério Público, mande apurar com rigor esses vazamentos. E principalmente esses vazamentos que não correspondem à realidade dos fatos. Eu confio que o chefe do Ministério Público mande tomar as providências cabíveis para que fatos como esse não ocorram, não possam ocorrer, porque eles vêm em detrimento da honra de pessoas honradas. Eu conheço o senador desde quando ele tinha 22 anos de idade. Fui amigo da família dele, de Tancredo Neves. E esse é até um dos motivos porque estou ajudando em sua defesa. De sorte que isso, além de sujar a reputação de homens sérios, isso prejudica as investigações. Então, é um prejuízo geral.

Penso que é hora de o Ministério Público adotar providências severas para apurar esses vazamentos selecionados, vazamentos que querem atingir a honra e a reputação de pessoas honestas.

Aristides Junqueira

Vou ser bem breve, só para dizer que estou de acordo com as palavras do ministro Carlos Velloso, e frisar este ponto: se nós devemos ter respeito às fontes dos meios de comunicação social – esse respeito me parece sagrado -, nós devemos ter também a preocupação de cumprir a lei na sua integralidade. E o Código Penal prevê como crime a violação de sigilo. Se os processos são sigilosos, se uma colaboração premiada, que eu prefiro chamar de delação premiada, é sigilosa, que se cumpra o sigilo. E que, se violado esse sigilo, é obrigação do Ministério Público investigar, apurar a autoria e denunciar na Justiça. Isto é também cumprir a lei. Cumprir a lei pela metade não me parece o ideal de Ministério público. E eu quero um Ministério Público forte, mas quero um Ministério Público forte e prudente, e cumpridor das suas obrigações na sua integralidade.

Senador Aécio Neves – sobre petições ao ministro Fachin

Quero reiterar aqui, mais uma vez, a minha mais absoluta indignação com esta falsidade e com esta irresponsabilidade. Para mim, pouco importa se quem mentiu foi a fonte da revista, se quem mentiu foi eventualmente o delator ou seu advogado. O que me interessa é a verdade. E, por isso, estou peticionando, hoje ainda, ao ilustre ministro Fachin, do Supremo Tribunal Federal, para que ele me permita acesso imediato à delação desse cidadão, o senhor Benedicto Junior, para que possamos saber o que ali consta, para que eu possa exercer o meu direito constitucional de defesa, e disso eu não posso abrir mão.

Da mesma forma, estou peticionando também ainda hoje, ao ministro Fachin, para que determine uma apuração rigorosa dos vazamentos sucessivos – não apenas esse – e direcionados que vêm ocorrendo nas últimas semanas e nos últimos meses no país. Todos queremos que o Brasil avance. Todos nós queremos que aqueles que cometeram ilegalidades, irresponsabilidades, sejam punidos, mas nós não podemos permitir que as coisas se misturem.

Há pouco tempo, vocês se lembram, disputei as eleições presidenciais enfrentando aqueles que, ao meu ver, assaltaram o Estado nacional em benefício próprio ou de um projeto de poder. Enfrentei todo tipo de ataques e de incompreensões. Hoje, volto a ser vítima desses mesmos ataques, dessas mesmas incompreensões. Isso não me abala. Isso revive em mim a minha determinação, a minha coragem e a minha vontade para que o Brasil possa avançar, defendendo a minha honra e de tantos outros que têm sido indevidamente atacados.