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Bené, operador de Pimentel, redigiu edital de licitação do Ministério da Saúde vencida por gráfica de sua propriedade

15 de setembro de 2016

De acordo com a Polícia Federal, petista indicou funcionária que ajudou a fraudar concorrência; recursos irrigaram caixa 2 de sua campanha ao governo de Minas

BANNER BENÉ - MINISTÉRIO DA SAÚDE

Mais uma reportagem, publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira (15/09), mostra que, quando era Ministro do Desenvolvimento, o atual governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, agia com desenvoltura incomum no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. De acordo com a matéria, uma das pessoas conduzidas pela Polícia Federal na 8ª fase da Operação Acrônimo foi Gilnara Pinto Pereira, que foi coordenadora-geral de patrimônio e materiais do Ministério da Saúde por indicação de Pimentel.

Segundo a Polícia Federal, Gilnara agiu um conluio com o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené (apontado como operador de Fernando Pimentel em esquemas de corrupção) para fraudar licitações no Ministério da Saúde. A Gráfica Brasil, uma das empresas de Bené, foi contratada originalmente para prestar serviços para a Universidade Federal de Juiz de Fora e o mesmo contrato foi utilizado logo depois para supostamente prestar serviços para vários outros órgãos federais. A gráfica Brasil faturou pelo menos R$ 120 milhões com o contrato fraudulento, dos quais cerca e R$ 60 milhões no Ministério da Saúde. De acordo com a reportagem de O Estado de S.Paulo, o contrato foi redigido pelo próprio Bené.

Em diálogo interceptado pela PF, revelado pelo mesmo jornal no ano passado, Bené diz a Gilnara que precisava de alguém de “extrema confiança” para resolver algum problema relacionado com um contrato no Ministério da Saúde. Depois disso, em agosto de 2014, ela foi nomeada para o cargo. Em outra conversa com ela, ao comentar o padrinho da indicação, Bené afirma: “Foi aquele amigo meu, que saiu do outro ministério para ser candidato”. “FP?”, questionou Gilnara. “Isso”, confirma Bené. Conforme os investigadores, “FP” é uma referência a Pimentel, que na ocasião tinha deixado o Ministério do Desenvolvimento para disputar o Governo de Minas.

Triangulação fraudulenta

Em outra reportagem, publicada pela revista Época em outubro do ano passado, foi revelado um exemplo de como funcionava o esquema fraudulento implantado por Bené no Ministério da Saúde. Certa feita, informa a matéria, o Ministério contratou a Gráfica Brasil para produzir 13,6 milhões de unidades de folders para a campanha “Hanseníase, verminoses e tracoma têm cura”. O contrato, no valor de R$ 2,4 milhões, foi chancelado por Gilnara Pinto Pereira. Segundo a PF, a Gráfica Brasil terceirizou o serviço para a Esdeva Indústria Gráfica, de Juiz de Fora, a um custo de R$ 585.486,51. “Ou seja, a gráfica da família de Bené teve, num único serviço, um lucro extraordinário de 47,53%, R$ 1,1 milhão”, afirma a reportagem da Época.

A mesma matéria revela que, “coincidentemente”, nas eleições de 2014, a mesma gráfica Esdeva doou R$ 1 milhão para a campanha de Fernando Pimentel ao Governo de Minas. Nesta quinta-feira (15/09), o dono da gráfica Esdeva, André Freitas Neves, foi um dos alvos da 8ª fase da Operação Acrônimo, juntamente com Gilnara Pinto Pereira.

Trecho do relatório da PF que mostra superfaturamento na contratação pelo Ministério da Saúde da Gráfica Brasil, pertencente a Bené. Parceira no contrato, a gráfica Esdeva doou R$ 1 milhão para a campanha de Pimentel

Trecho do relatório da PF que mostra superfaturamento na contratação pelo
Ministério da Saúde da Gráfica Brasil, pertencente a Bené. Parceira no contrato,
a gráfica Esdeva doou R$ 1 milhão para a campanha de Pimentel

Recursos irrigaram caixa 2 de Pimentel

Em 25 de fevereiro deste ano, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) que, em dezembro de 2014 já tinha reprovado as contas da campanha do petista Fernando Pimentel ao governo de Minas. Os ministros do TSE concordaram com as conclusões do TRE-MG de que o petista extrapolou em muito os gastos de campanha. De acordo com o tribunal mineiro, ele gastou cerca de R$ 10,2 milhões a mais do que a previsão de R$ 42 milhões.

Os contratos fraudulentos e superfaturados da Gráfica Brasil com o governo federal petista, que teriam sido utilizados para abastecer a campanha de Pimentel em 2014, integram os processos movidos pelo PSDB e pelo Ministério Público Eleitoral, que pedem a cassação do diploma e do mandado de governador de Pimentel. De acordo com outras investigações da Operação Acrônimo, o caixa dois da campanha petista foi irrigado também com propinas recebidas por Pimentel no período em que foi Ministro do Desenvolvimento. Algumas das negociatas foram confirmadas pelo operador Bené no acordo de delação que firmou com o Ministério Público Federal.

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