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A morte da democracia na Venezuela

7 de agosto de 2017

Autor: Instituto Teotônio Vilela (ITV)

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Se o que está acontecendo lá inspira algumas de nossas forças políticas, como o petismo, é sinal de que o que almejam para o nosso país está longe de ser desejável pelo nosso povo

A instalação de um arremedo de assembleia constituinte selou o fim da democracia na Venezuela na última sexta-feira. Trata-se de uma morte anunciada que veio sendo construída tijolo a tijolo à medida que “o socialismo do século 21” foi sendo implantado naquele país pelas mãos de Hugo Chávez e depois por Nicolás Maduro. A ditadura agora é de fato e direito.

O Legislativo era a última das instituições republicanas que ainda resistia ao totalitarismo das ações de Maduro. A instauração de uma constituinte à margem da lei, eleita com base em regras manipuladas e esdrúxulas, sufocou o último bastião democrático que ainda conferia algum verniz de normalidade à situação da Venezuela. Agora, não mais.

Sob ditadura, as condições de vida no país tendem a se agravar ainda mais. A Venezuela já abriga a cidade mais violenta do mundo, já convive com a maior taxa de inflação do mundo, tem uma das maiores populações em condição de pobreza do mundo. Sob ditadura, pior do que está fica.

A violência tende a escalar, como já prenunciou o levante deste fim de semana em Valencia. Desde que a atual crise foi deflagrada, em abril passado (veja aqui uma cronologia com a escalada dos conflitos feita pelo G1), mais de 100 pessoas morreram, milhares foram feridas e a normalidade deu adeus ao país. Se isso não é uma guerra civil, o que mais pode ser?

Sob presidência pro tempore do Brasil, o Mercosul teve reação altiva e tempestiva à instalação da assembleia ditatorial. A Venezuela, última a ser incorporada ao bloco, em 2012, foi suspensa neste fim de semana por violação da cláusula democrática.

A situação venezuelana lança suas sombras sobre o Brasil. É representativa a posição externada pelo Partido dos Trabalhadores em nota oficial saudando a instauração da assembleia golpista em Caracas. Ainda pior foi a manifestação da presidente do partido, para quem o que há na Venezuela falta ao Brasil.

“Suas [de Nicolás Maduro] atitudes, inclusive, contrastam em muito com a atual experiência de alguns vizinhos latino-americanos, que viram a democracia ruir após golpes parlamentares ou judiciais patrocinados pela união entre as elites econômicas e os partidos conservadores”, escreveu Gleisi Hoffmann em artigo publicado há dez dias na Folha de S.Paulo.

A Venezuela socialista do chavismo é uma experiência para ser conhecida e nunca mais repetida. Se o que está acontecendo lá serve de exemplo e inspiração para algumas de nossas forças políticas, como é o caso do petismo, é sinal de que o que almejam para o nosso país está longe de ser desejável pelo nosso povo. Que os petistas carreguem esse caixão para bem longe do Brasil.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.631 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)