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A luta não é só do negro é de todos nós

25 de julho de 2019

Autor: Gabriela Cruz

O dia 25 de julho é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha desde 1992. Na data, grupos de mulheres negras da América Latina e Caribe reuniram-se em Santo Domingo, na República Dominicana, para a realização do primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, onde destacaram os efeitos do machismo e do racismo e assim se organizaram para combatê-los.

A partir de 2014, o dia também ganhou uma homenagem a Tereza de Banguela, líder quilombola do século XVIII que lutou pela comunidade negra e indígena contra os portugueses. Ela foi e é exemplo de resistência e força da mulher negra em nosso país.

Este dia busca dar visibilidade às situações de desigualdade racial e de gênero e o fortalecimento e defesa de nossa identidade,viabiliza o fortalecimento das muitas lutas das mulheres negras seja contra o racismo, o sexismo, o preconceito e a discriminação.

No Brasil inteiro, são diversas mobilizações e ações que fortalecem e resgatam organizações e grupos de resistência que juntos pensam um projeto de sociedade plural e que olhe as nossas especificidades.

Três séculos após a luta de Tereza de Benguela, tivemos importantes conquistas com base na social democracia destacadas nos encaminhamentos que foram promovidos a partir de 2001, quando o Brasil passou a ser signatário do Plano de Ação resultante da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata (Conferencia de Durban), ocorrida na África do  Sul.

Assim como em nossa gestão frente à Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial  entre 2016 e 2018 comandada pelo nosso presidente de honra, Juvenal Araújo Junior, onde reconhecemos as condições enfrentadas pelas mulheres negras e desenvolvemos políticas públicas transversais e de reparação, promoção da igualdade, da justiça e da garantia de direitos, com objetivo de empreender novas compreensões sobre suas realidades com uma agenda de valorização e respeito às diferenças.

Na Seppir, realizamos ações que trouxeram como pauta essenciais, o estabelecimento de novas relações sociais, as interseccionalidades, transversalidades, sustentabilidade e o autoempoderamento das mulheres negras.

Reflexão

As mulheres negras foram fundamentais na construção de nosso país, porém ainda hoje são invisibilizadas pelo machismo, sexismo e pelo racismo. Nosso objetivo no Tucanafro, é romper com o imaginário social brasileiro que ainda nos percebe como um corpo hipersexualizado e pela exotização.

Estamos pensando nas opressões que nos atingem, mas também pensamos em um projeto de sociedade plural que olhe a necessidade de romper com o silêncio em relação às desigualdades existentes em nossa sociedade. Nós mulheres negras tucanas, reconfiguramos para legitimar, e para legitimar é necessário ter direito a voz e representatividade, e hoje como presidente do Tucanafro Nacional,tenho um objetivo central que é unir forças e considerar as múltiplas narrativas principalmente as que foram ausentes até hoje por um processo histórico de exclusão.

Estamos engajados em produzir e transmitir conhecimento, colocar a nossa teorização na prática política e buscar espaços de poder para oportunizar as nossas lideranças.

Somos mulheres, somos ancestralidade, estamos engajadas em uma forma harmoniosa de nos relacionar com o próximo e também reafirmar a esperança e com a união de forças garantir a dignidade humana.

A luta não é só do negro é de todos nós.

*Gabriela Cruz é presidente do Tucanafro, gestora pública do Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente, atuou na Secretaria Nacional de Igualdade Racial (Seppir), em Brasília.