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Tema da sexualidade na arte faz país refletir sobre intolerância na sociedade brasileira, avalia Fábio Magalhães

7 de novembro de 2017

Museólogo, curador e atual diretor do Masp analisa as recentes polêmicas envolvendo censura e os limites da expressão artística

Episódios recentes envolvendo a liberdade de expressão da arte e manifestações contrárias a obras e performances apresentadas em importantes centros culturais do país despertaram questionamentos que muitos acreditavam estar superados nos dias atuais. A intervenção estatal e atos de intolerância surpreenderam não só o meio cultural, mas parte significativa da sociedade, que têm debatido e se posicionado contra o cerceamento da arte encampado por alguns grupos sociais.

Recentemente, o Santander Cultural, em Porto Alegre, cancelou a exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira após protestos que a acusaram de inadequação moral – a mesma montagem foi vetada no Rio de Janeiro pela prefeitura da cidade. Em São Paulo, o Museu de Arte Moderna (MAM) foi alvo de ações de intolerância após a performance La Bête de Wagner Schwartz, que toma como referência a escultura Bichos, da artista brasileira Lygia Clark. A interação de uma criança, acompanhada da mãe, com a performance levou o artista a ser advertido. Neste contexto, o Museu de Arte de São Paulo (Masp), que preparava há dois anos a mostra Histórias da sexualidade, julgou ser prudente fixar idade mínima de 18 anos para a visitação da mostra e evitar contestações à abertura da exposição e à curadoria.

Nesta entrevista ao Portal do ITV, o museólogo e curador Fábio Magalhães, atual diretor do Masp, analisa o papel da sexualidade e da arte em tempos e sociedades distintas e, particularmente, no contexto atual brasileiro. Magalhães também explica a emergência do que chama de “militância da intolerância” e esclarece o caráter transgressor e idôneo da arte como expressão presente e legítima em todas as sociedades.

“Essa questão da sexualidade, que tem causado incomodo e radicalismo, está na arte desde os seus primórdios. É impossível imaginar o ser humano, a vida, sem a sexualidade. É ela que nos garante a continuidade”, declara.

Assista à entrevista abaixo: