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DNA tucano no avanço do IDH brasileiro

21 de maio de 2013

Síntese: Em seu mais recente Relatório de Desenvolvimento Humano, a ONU coloca o Brasil num grupo de nações cujos avanços se destacaram nos últimos anos, reduzindo o hiato que as separa dos países mais ricos. Mas o que a publicação traz de mais relevante é ressaltar que os anos em que o país teve crescimento mais acelerado na melhoria das condições de bem-estar, renda, saúde e educação coincidem com os do governo do presidente Fernando Henrique. Nossa média de evolução era quase duas vezes superior à atual. Políticas tucanas como o Plano Real, o Fundef e o Bolsa Escola são apontadas como marco inicial da arrancada brasileira recente rumo ao desenvolvimento.

 

A divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é sempre boa oportunidade para aferir o grau de avanço dos países em termos de bem-estar, renda, escolaridade e saúde. Com abrangência mais ampla e mais dinâmica que a do PIB, ele fornece um retrato mais fiel das condições de vida em determinada nação e permite compará-la com a das demais. O mais recente levantamento, publicado no início do mês pela ONU, mostra que o Brasil vem progredindo lentamente nos últimos anos, depois de uma decolagem fulgurante nos anos 1990.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil manteve-se em 85° lugar entre 186 países que integram o ranking – mesma posição que ocupava na lista anterior, de 2011. Com IDH de 0,730, figuramos entre as 36 nações classificadas como de desenvolvimento humano elevado. O índice brasileiro é uma média geométrica que reflete expectativa de vida de 73,8 anos, 7,2 anos de escolaridade e renda per capita anual de US$ 10.152.

Quando o IDH considera também a desigualdade de renda, o Brasil despenca 12 posições no ranking e cai para 97° lugar. No grupo dos 94 países de desenvolvimento muito elevado ou elevado, só outros cinco pioram tanto entre uma lista e outra: Coreia, Venezuela, Panamá, EUA e México. Neste mesmo agrupamento, apenas a Colômbia tem renda mais mal distribuída que a nossa.

Contraste entre os anos FHC e a era petista

Neste ano, o Pnud destacou em seu relatório o desempenho de países do hemisfério sul que vêm acelerando seu desenvolvimento e reduzindo o hiato que os separa das economias mais avançadas do mundo. O Brasil é incluído no grupo das 15 nações que mais melhorias conquistaram desde o início dos anos 1990, junto com China, Índia, México e Argélia, entre outros.

Durante este período, o IDH brasileiro avançou quase 24%, mas a evolução mais expressiva se deu entre 1990 e 2000, ou seja, na época que praticamente coincide com o governo Fernando Henrique. Segundo a ONU, naquela década as condições de vida no Brasil melhoraram muito mais que no decênio seguinte, já na gestão petista. Os anos tucanos foram o período de maior prosperidade no país desde que o Pnud passou a calcular o IDH, em 1980.

De 1990 a 2000, a média anual de crescimento do IDH do Brasil foi de 1,26%, colocando-nos na condição de um dos países com expansão mais alta no período: entre as 94 nações consideradas de desenvolvimento humano muito elevado ou elevado, apenas Irã e Tunísia superaram o desempenho brasileiro naquela década. Quando se analisa a lista completa, com 186 países, somente 34 avançaram mais que o Brasil durante aquele período.

O que aconteceu a partir de então é bem diferente. Entre 2000 e 2012, a média de crescimento do IDH brasileiro decaiu para 0,73% ao ano. Com isso, 18 países com desenvolvimento humano classificado como muito elevado ou elevado avançaram a um ritmo superior ao do Brasil. Entre todos os países que hoje compõem o ranking, nada menos que 74 aceleraram a uma velocidade maior que a nossa no período.

Nos anos 1990 a 2000, o IDH do Brasil cresceu a um ritmo mais de duas vezes maior que o dos países de desenvolvimento humano elevado – grupo do qual fazemos parte e que avançou à média de 0,58% ao ano. Já entre 2000 e 2012, apenas acompanhamos o crescimento médio do IDH destas nações (0,72%).

De 1990 e 2000, também superamos a média de evolução de todas as regiões, exceto a Ásia. Na década seguinte, só não perdemos para Europa, América Latina e Caribe. Nos dois anos da gestão Dilma Rousseff, o desempenho piorou.

Sementes do desenvolvimento

Quando da divulgação do relatório, o governo petista estrilou. Acusou o Pnud de usar estatísticas defasadas e, desta forma, empurrar o Brasil mais para baixo no ranking. O choro é livre, mas o que deve ter deixado os partidários de Lula, Dilma e José Dirceu mais irritados foram as menções bastante elogiosas que a ONU fez a programas e iniciativas lançadas pela gestão tucana e depois mantidas pelo PT. Ali resta claro que, à revelia da crença petista, o Brasil não começou em 1° de janeiro de 2003.

Da mesma forma que elogiam a evolução brasileira nas últimas décadas, os técnicos do Pnud evidenciam que as sementes do desenvolvimento humano brasileiro recente germinaram ainda nos anos 1990, ou seja, na gestão Fernando Henrique. O ano de 1994, quando foi lançado o Plano Real, é considerado o marco inicial da “transformação do Brasil num Estado orientado para o desenvolvimento”.

Dos anos seguintes, o Pnud salienta a liberalização comercial, a adoção de políticas monetárias e fiscais “prudentes” e a “introdução de programas sociais inovadores que permitiram reduzir a pobreza e as desigualdades de rendimento”, cujo ponto de partida, citado e reconhecido pela ONU, foi o Bolsa Escola, lançado em 2001 e posteriormente expandido para o Bolsa Família, com a fusão de vários programas de transferência de renda também da lavra do PSDB.

O Pnud também avaliou como positiva a evolução dos indicadores de educação do Brasil nestas duas décadas, embora nossa média de escolaridade ainda seja a mais baixa entre todos os países da América do Sul, junto com a do Suriname (7,2 anos), e a nossa taxa de abandono escolar continue sendo uma das mais altas do mundo. Novamente, o pontapé inicial das melhorias é creditado a uma política tucana: o Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), que estabeleceu um nível mínimo para os investimentos em educação e redefiniu a distribuição de recursos para o ensino no país a partir de 1998.

O Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU mostra que a melhora nas condições de vida e a ascensão social, com a emergência de novas camadas urbanas de classe média, é um fenômeno mundial e não uma particularidade brasileira, como quis fazer crer o discurso petista. Mais ainda, deixa patente que, nestes últimos 30 anos, a época de maior prosperidade do país em termos de melhoria de renda, educação e saúde coincide com a da gestão do PSDB. O DNA do Brasil mais desenvolvido e justo é tucano. Infelizmente, com os petistas no comando o ímpeto arrefeceu.

 

Fonte: ITV