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Carta da militância LGBT às amigas e aos amigos tucanos

24 de maio de 2019

2Foto SivanildoFernandes/ObritoNews

O secretariado Diversidade Tucana reforça o papel fundamental que tem: o debate democrático. Vamos nos juntar aos demais segmentos do partido, a fim de continuar construindo um PSDB mais forte, mais plural e conectado com as ruas

O PSDB nasceu junto com a recente democracia brasileira, em 1988, e já naquela época trouxe o lema “longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas” (Franco Montoro). Este também é o partido do saudoso Mário Covas que dizia que “é possível conciliar política e ética, política e honra, política e mudança”. E também é o partido do respeito às minorias, negros, mulheres e LGBTs, parcelas da sociedade que, por sua vulnerabilidade, têm sido alvo principal deste governo federal que se coloca como a “nova política” – mas que já vem mofada e fadada ao fracasso.

Este mesmo PSDB, que não saiu enfraquecido das eleições (de que adiantaria ganhar uma eleição para presidente da República e perdermos a nossa essência democrática?), se fortalecerá ainda mais com a união de seus segmentos e apoio popular.

O Partido da Social Democracia Brasileira está fazendo o que muitos partidos não tiveram humildade e coerência de fazer: a tão necessária autocrítica para poder voltar às suas bases populares, ainda mais forte e conectado com a sociedade.

O Diversidade Tucana faz parte desse processo e tem se encontrado com representantes da militância para ouvir as diversas opiniões que fazem o partido ser democrático e plural.

Por ora, é evidente que o Diversidade Tucana não pode se calar diante dos ataques que utilizam a “crítica” às mulheres, negros e LGBTs para fomentar ainda mais o ódio contra essa parcela da sociedade já excluída. São supostas críticas que funcionam como cortina de fumaça para tirar a atenção da mídia e da sociedade, dos desmandos e desmontes que vêm acontecendo.

Reconhecemos e defendemos os direitos da população LGBT, principalmente no que se diz respeito à empregabilidade e ao acesso à educação. E entendemos que, para que isso seja possível, são necessárias as reformas estruturais que o país precisa. O que não podemos apoiar é uma política que não integra e nem respeita toda sociedade.

Sem essa autocrítica, é impossível nos reinventarmos de forma ética e coerente para acompanhar as novas formas de fazer política e se organizar em redes. São tempos de pós-verdade e, para alguns, vale muito mais as fakes news compartilhadas em grupos aleatórios de WhatsApp do que fatos, números e registros históricos.

O Secretariado Diversidade Tucana reforça o papel fundamental que tem: o debate democrático. E se coloca aberto para se juntar aos demais segmentos do partido, a fim de continuar construindo um PSDB mais forte, mais plural e conectado com as ruas.

Às vésperas de o partido escolher sua nova executiva, é importante aprofundar a discussão internamente com as bases sobre questões muito importantes: De que lado da política queremos estar? Quais são as políticas públicas que queremos defender? Que tipo de alianças nos representa e podemos fazer sem perder nossa essência que está intrinsicamente ligada ao respeito aos direitos humanos e a liberdade de expressão em um estado democrático de direito?

Pensando em tudo isso, o secretariado realiza nos dias 24, 25 e 26 de maio, em Mato Grosso do Sul, o encontro nacional “Novos desafios“, que tem como objetivos reunir lideranças e discutir os novos rumos do secretariado, tendo em vista sempre o fortalecimento do PSDB e sua reafirmação como partido que tem em sua origem o respeito às liberdades individuais e a preocupação social com os mais vulneráveis.

(*) Presidente do Secretariado Nacional da Diversidade Tucana