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Aposentadorias precoces comprometem o futuro do Brasil, afirma o economista Fábio Giambiagi

1 de agosto de 2017

Economista analisa melhora de fundamentos como controle de preços e redução dos juros, mas afirma que, sem rever privilégios da atual Previdência, país não terá como crescer de forma sustentada

Será que o Brasil conseguirá ter uma fase de crescimento econômico sustentado ou continuará vendo apenas “voos de galinha” do PIB? A questão é difícil de responder, mas a necessidade de superar a maior recessão da história e reduzir o desemprego que atinge 14 milhões de pessoas é urgente. Em entrevista ao Portal ITV, o economista Fábio Giambiagi, especialista em Previdência e analista do BNDES, avalia, com otimismo, que o país avançou ao retomar o controle de preços e do câmbio, reduzir os juros e apostar em uma agenda de reformas estruturantes. Para ele, a preservação dessas conquistas viabilizarão as condições para a retomada e consolidação de nosso crescimento.

No entanto, a tarefa é árdua e a perspectiva de sucesso depende de um ofício que anda desacreditado: a política. “Há um desprestígio muito grande da classe política, mas quem assumir, em 2019, terá que fazer política com P maiúsculo”, afirma. A aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado de reformas imprescindíveis para modernização e desenvolvimento do país não acontecerá na base da força. “Teremos que exercitar a arte do diálogo e superar as práticas que viciaram a democracia, nos últimos 30 anos”, declara.

Todo o esforço pode também ser em vão, caso o Brasil não encare o desafio de reformar a Previdência. O gasto com aposentadorias assume, segundo ele, as feições de um polvo, que ocupa gradualmente a gestão pública e esmaga o espaço de outras despesas. “Temos graves problemas na saúde, segurança precária, ciência e tecnologia já viraram requinte e pessoas aposentadas aos 50 anos. Isso não faz o menor sentido. Não podemos mais nos dar ao luxo de permitir essas aposentadorias precoces.”

Assista à entrevista