Líderes da base governistas na ALMG manobram para adiar impeachment de Fernando Pimentel

30 de Abril de 2016

Os líderes da base governista na Assembleia Legislativa de Minas estão mobilizados para tentar engavetar o processo de impeachment contra o governador Fernando Pimentel, aceito pela Casa no final de abril. Os aliados petistas apresentaram duas questões de ordem durante a sessão plenária desta quarta-feira (02/05) na tentativa desesperada de descredibilizar a denúncia de crime de responsabilidade que pesa contra o governador e transformar o pedido de impeachment em pizza. Com os questionamentos apresentados hoje, os prazos para a criação da Comissão Especial que irá analisar o processo foram suspensos.

Para os deputados de oposição, a manobra dos petistas para adiar a criação da comissão, apesar de previsível, não anula o processo na Assembleia. “O Partido dos Trabalhadores está ficando isolado, se sentindo pressionado e, por isso, tem que agir de alguma forma. Conseguiu, no máximo, ganhar tempo. Mas esse é um caminho sem volta, é só uma questão de dias. A Comissão vai ter seus nomes indicados em breve e os trabalhos para avaliar a denúncia e o pedido de impeachment contra Pimentel vão começar”, afirmou o líder da Minoria Gustavo Valadares.

O parlamentar lembra que os deputados petistas já recorreram a outras manobras para blindar Pimentel e impedir que ele se tornasse réu pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro investigados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na Operação Acrônimo. “No ano passado, eles tentaram politizar uma decisão que era de Justiça. Quiseram trazer para a Assembleia, onde Pimentel tem o apoio da maioria, a autorização para que o STF julgue o governador que é acusado de prática de crimes comuns. Não tiveram sucesso naquela época e também não terão agora”, explicou.

O líder da oposição, deputado Gustavo Corrêa, acredita que a Mesa dará uma resposta rápida às questões de ordem apresentadas pela base governista para protelar o andamento do processo. “Acredito que no início da próxima semana já vamos começar a discutir a composição da Comissão Especial, à qual caberá o relatório sobre o impeachment. Os mineiros aguardam o posicionamento do Legislativo e desejam, não tenho dúvida, que Pimentel seja afastado se tiver cometido os crimes que lhe são imputados ”, afirma.

A denúncia contra Pimentel, protocolada no início de abril pelo advogado Mariel Marra, é justificada pela retenção e restrição indevida do repasse dos duodécimos orçamentários ao Poderes Legislativo e Judiciário, o que configuraria crime de responsabilidade. O advogado cita ainda o confisco dos depósitos judiciais, o parcelamento e atraso nos salários dos servidores, a retenção dos recursos do ICMS e do IPVA destinados aos municípios mineiros, além dos valores devidos aos bancos relativos a empréstimos consignados, descontados direto na folha de pagamento.

Fonte: Bloco Verdade e Coerência