Um problema a menos

30 de Abril de 2016

Inflação e juros em níveis historicamente baixos sugerem que o país tem condição de superar outras mazelas, para que o dinheiro que hoje se torra sirva melhor à população

Não faz muito tempo a inflação ocupava o topo das inquietações dos brasileiros preocupados com o bolso. Fruto da leniência com que o governo petista tratava o tema, os índices de preços chegaram a namorar o descontrole. Mas, em golpes sucessivos, o problema foi varrido do mapa.

A inflação oficial do país caiu a 2,86% anuais em janeiro. Dois anos atrás, esse percentual equivalia à carestia de um trimestre; há três, correspondia à alta de preços registrada em apenas dois meses do ano. Por aí nota-se o quanto o país conseguiu avançar nesta questão. O assunto, por ora, e até onde a vista alcança, está morto.

A inflação de janeiro foi a menor para o mês desde o Plano Real, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. Caiu tanto em relação ao mesmo mês de 2017 quanto a dezembro. A queda de itens fundamentais da cesta de consumo dos brasileiros, como habitação e vestuário, colaborou para segurar o IPCA, contrabalançando a alta da alimentação.

Não é pouca coisa a inflação ter sido debelada. É traço de eficácia de políticas postas em marcha e que representavam o exato oposto do que foi feito enquanto o PT teve o comando da economia nas mãos. É mais um indicativo de que o país não pode sequer considerar a hipótese de voltar ao passado recente nas eleições de outubro próximo.

Inflação mais baixa é mais qualidade de vida para a população. Permite mais consumo, sobretudo de alimentos, e preserva o salário. Sobra mais dinheiro – ou, em muitos casos, falta menos para fechar o orçamento – no fim do mês. Organiza melhor a vida.

Foi o êxito no combate à inflação que permitiu outra realização notável do atual governo nestes pouco menos de dois anos em que comanda o Brasil: a queda da taxa básica de juros para o nível mais baixo da história.

A Selic foi reduzida ontem pelo Copom para 6,75% ao ano. Foi o 11º corte consecutivo, num processo iniciado em outubro de 2016. Trata-se de diminuição de 7,5 pontos percentuais num período de apenas 14 meses. Neste quesito, em que liderava rankings mundiais de juros reais, o país deixou de ser pária no mundo das finanças globais.

Estima-se que cada ponto a menos de juros resulte numa economia anual de R$ 28 bilhões para o Tesouro, ou quase um Bolsa Família, nos cálculos de Felipe Salto. Façam-se as contas e vê-se que são mais de R$ 200 bilhões que deixam de ser torrados com rolagem de dívida e podem servir melhor a população. Pode ser que chegue o dia em que se gaste ainda menos com a usura.

Inflação e juros baixos denotam que é possível derrotar mazelas que, por vezes, parecem insuperáveis. Quem visse o Brasil de dois anos atrás não apostaria um vintém na queda consistente e concomitante de ambos. Sinal de que os demais desafios também devem e podem ser vencidos. Desde que não sejam deixados sempre para depois.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.735 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)