Lula Guerra e Ódio

30 de Abril de 2016

Em entrevista, petista delineia sua visão de mundo, aquilo a que os brasileiros podem se ver condenados, caso, à revelia da Justiça, ele triunfe nas urnas em 2018

Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o início do vazio da cobertura política em fim de ano para preencher páginas e páginas de jornais pelo país afora. Convocou ontem entrevista coletiva, a primeira após a derrocada do PT, para marcar presença no Natal dos brasileiros. Cumpre uma estratégia, e acaba revelando suas garras.

Na entrevista, mais uma vez, o capo petista afronta a Justiça, insufla a idolatria em torno de seu nome e resenha a plataforma populista com que se apresentará ao eleitorado no ano que vem. Tenta ressuscitar o Lulinha Paz e Amor, mas trai mesmo é o Lula Guerra e Ódio.

A maior parte da conversa com os jornalistas foi gasta com a defesa dele, condenado a nove anos e meio de cadeia e réu em outras seis ações. Segundo computou O Estado de S. Paulo, foram oito as ocasiões ao longo de duas horas e meia em que Lula precisou afirmar-se inocente da penca de acusações de que é alvo. Vai mal quem tanto tem que explicar…

Depois do giro pelos estados do Nordeste, Minas, Rio e Espírito Santo em que atiçou o vírus do radicalismo na sua plateia cativa, ontem o petista tentou apresentar-se à opinião pública como líder ponderado. É o velho Lula de sempre: enverga o figurino que calha melhor a cada circunstância. É o conhecido lobo em pele de cordeiro.

Nas linhas e entrelinhas, o líder dos petistas delineia sua visão de mundo, aquilo a que os brasileiros podem se ver condenados, caso, à revelia da Justiça, ele triunfe nas urnas em outubro do ano que vem.

Estão ali as tintas demagógicas de quem faz promessas ao arrepio dos limites do orçamento público, de quem defende políticas irresponsáveis e ruinosas como as que levaram o país à devastação promovida pelo PT.

São os casos do uso do Estado como motor da economia, dos “campeões nacionais” (dos quais a falimentar Oi é um dos fracassos mais clamorosos), do uso do BNDES como hospital de empresário, do voluntarismo como virtude administrativa, da recorrente demonização das privatizações, para ficar apenas em alguns poucos exemplos.

Esperto, Lula morde e assopra. Defende iniciativas contra as quais ninguém há de ficar contra, como, por exemplo, maior justiça tributária. Mas as traveste de redenção dos mais pobres, coisa que, infelizmente, estão longe de ser. Deseduca, portanto. Nenhuma novidade, em se tratando da cartilha clássica do PT.

Na longa entrevista, Lula, porém, profere uma frase lapidar: “Urna é lugar de depositar esperança”. Está coberto de razão. E a esperança dos brasileiros é que, em outubro do próximo ano, o país consiga virar a página deste personagem que, há 40 anos, povoa a crônica política nacional e que agora já não tem mais nada de bom a dar ao Brasil.

– Carta de Formulação e Mobilização Política Nº 1.721