Lula condenado

30 de abril de 2016

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Sentença inédita contra o ex-presidente à prisão abre caminho para mudança histórica no país. Mas não é apenas na Justiça que o petista deve prestar contas. É preciso também derrotá-lo nas urnas em 2018

A condenação de Luiz Inácio Lula da Silva por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro abre nova perspectiva histórica para o país. Aproxima-se o momento de sepultar um período perverso que, para sustentar um projeto de poder, comprometeu o presente e rifou o futuro de milhões de brasileiros.

Lula foi sentenciado ontem a 9 anos e seis meses de prisão pelo juiz Sergio Moro – o Ministério Público quer pena maior. Parte dos crimes foi praticada ainda no exercício da Presidência da República. Ele também ficará impedido de ocupar cargo ou função pública pelo dobro desse tempo, ou seja, 19 anos. Ainda não será preso, para o que será preciso aguardar confirmação em segunda instância pelo TRF da 4ª região.

O tríplex do Guarujá que condenou Lula é quase anedótico perto do manancial de traficâncias que ele e o PT promoveram no Brasil por mais de uma década. Afinal, o que são R$ 2,2 milhões num esquema em que “um barusco”, a moeda inaugurada por um funcionário de terceiro escalão da petroleira, era cotado em quase 40 vezes mais em termos de propina?

O apartamento é apenas um dos mimos que o grupo OAS destinou a Lula para compensar as benesses que recebeu da Petrobras. Cabe recordar, ainda, que os contratos que geraram as vantagens indevidas amealhadas pelo ex-presidente referem-se a apenas uma obra e que acabou custando dez vezes mais, ultrapassa R$ 40 bilhões e até hoje não foi concluída, a refinaria Abreu e Lima.

A roubalheira petista ultrapassa o âmbito privado. Dinheiro da corrupção resultante da corrosão do aparelho estatal brasileiro financiou por anos a fio o esquema político-eleitoral do PT. Com as revelações ainda não apreciadas da Odebrecht e da JBS, é cristalino que todas as vitórias petistas desde 2006 foram custeadas por dinheiro sujo.

Pode-se alegar, como não se cansarão de fazer os lulistas, que a sentença de Moro careça de provas materiais rotundas de crime. Mas, convenhamos, estamos tratando com uma organização que se especializou em fraudar o interesse público e em sequestrar o dinheiro dos brasileiros. Numa situação assim, não haverá nunca batom na gola do colarinho branco.

O que é fora de questão é que Lula foi diretamente beneficiado por um esquema corrupto, firmado entre o aparato de Estado e empresas privadas, que qualquer um reconhece. O ex-presidente ainda é réu em mais quatro processos abertos na Justiça Federal e investigado em um quinto inquérito por falcatruas relacionadas ao sítio de Atibaia.

O petista tornou-se o primeiro ex-presidente da República a ser condenado à cadeia. Mas o ineditismo não se aplica ao PT: Lula é o terceiro ex-comandante da legenda a ter que acertar contas com a Justiça. Fará companhia a José Dirceu e José Genoíno. Como se percebe, trata-se de esquema longevo, que passou pelo mensalão, desaguou no petrolão, mas antecede a ascensão do partido ao comando do governo federal.

A jararaca e seu serpentário não se fazem de rogados e anunciaram que planejam transformar a sentença de Moro em mote de uma campanha política permanente – embora os atos convocados para ontem tenham sido fracasso retumbante. Arreganham os dentes para constranger adversários e coagir a população em geral. Atacam e intimidam para não serem atacados. Posam como vítimas, ou “perseguidos políticos”, nos termos empregados pela defesa de Lula.

A condenação de Lula por Moro é apenas o primeiro capítulo do ajuste de contas da sociedade brasileira com o demiurgo do maior esquema criminoso instalado no seio do poder no país, e cuja administração resultou na maior crise econômica a nos assolar. O provável próximo passo é a condenação dele em segunda instância, o que levaria à decretação de sua prisão e de sua inelegibilidade pela Lei da Ficha Limpa.

Como o líder dos petistas não deverá sossegar, usando todos os recursos jurídicos à disposição e recorrendo ao mise-en-scène como o visto no dia seguinte à condenação, é possível que seu nome esteja na urna eletrônica daqui a 15 meses. Nesse caso, será o momento de escrever o tomo final dessa história nefasta e derrotar Luiz Inácio Lula da Silva no voto, sepultando uma época que prometeu ser venturosa, mas serviu mesmo foi para afundar o país, com consequências sentidas até hoje pelos milhões de desempregados e suas famílias. Ainda temos muito trabalho pela frente, mas a virada já começou.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1624 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)