Sindicatos ligados ao PT gastam dinheiro dos contribuintes para levar manifestante a atos pró-Dilma

30 de abril de 2016

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Em Santa Catarina, entidade deu “ajuda de custo” de R$ 300; em Minas, SIND-UTE/MG, umbilicalmente ligado ao PT, orientou professores a deixarem milhões de alunos sem aula para participarem de atos e ainda quer que o Estado não desconte o dia no contracheque dos faltosos

Sindicatos estaduais de trabalhadores da educação gastaram dinheiro dos contribuintes e utilizaram as respectivas estruturas para levar manifestantes a atos contra o impeachment de Dilma Rousseff que ocorreram nesta quinta-feira (31/03) em Brasília-DF. De acordo com matéria veiculada na rádio CBN, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública do Ensino de Santa Catarina (SINTE-SC) emitiu circular aos seus filiados em que disponibiliza três ônibus para a viagem até a capital federal, além de uma “ajuda de custo” de R$ 300,00 (trezentos reais) para cada manifestante. O site da CBN publicou a “prova do crime” (cópia da circular que o sindicato enviou para seus filiados oferecendo o transporte e a “ajuda de custo”).

Clique aqui para acessar a matéria da CBN e a cópia da circular do SINTE-SC

Já o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SIND-UTE/MG), umbilicalmente ligado ao PT,  promoveu uma paralisação em toda a rede pública estadual de ensino nesta quinta-feira (31). A alegação feita em ofício enviado pela entidade à Secretaria de Estado de Educação (veja reprodução abaixo) seria a participação dos educadores em um evento convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). Entretanto, cartaz divulgado pelo SIND-UTE/MG, também reproduzido abaixo, fica claro que a convocação é para participação em atos contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Milhões de alunos sem aula e folga remunerada para manifestantes

Na quarta-feira (30/03), o mesmo SIND-UTE/MG já havia promovido uma paralisação total dos servidores de todas as superintendências regionais de ensino e demais órgãos ligados à Secretaria de Estado de Educação. A justificativa oficial seria uma “vigília”. Na prática, esta paralisação deve ter servido para facilitar o deslocamento dos servidores do interior do Estado para os atos pró-Dilma em Brasília. Em ambos os casos, o SIND-UTE/MG pede ao Governo do Estado que não desconte os dias parados nos contracheques dos servidores, alegando o “direito de greve” assegurado pela Constituição.

O fato é que o SIND-UTE/MG articulou para deixar sem aula milhões de alunos da rede pública estadual de ensino em todo o Estado e ainda advoga que os servidores faltosos tivessem folga remunerada para participar de atos contra o impeachment. Isso sem se falar que, muito provavelmente, o sindicato deve estar bancando transporte e outras despesas dos manifestantes.

Clique para ler o oficío do Sind-UTE enviado à Secretaria de Educação comunicando paralisação na rede estadual de ensino.

Confira cópia de cartaz do SIND-UTE/MG convocando paralisação para servidores da educação participarem de atos contra o impeachment de Dilma:

panfleto

A utilização da máquina do SIND-UTE/MG em prol de Dilma e do PT foi destacada em matéria publicada na site da revista revista ÉPOCA. Confira:

TITULO EPOCA

Alega que o direito à greve seria negado em caso de desconto

No dia 23 de março, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais encaminhou carta à secretaria de Educação do Estado, Macaé dos Santos, notificando que os profissionais de educação do Estado se ausentariam do trabalho para participar da “Marcha dos 100 mil” de Brasília, manifestação favorável ao governo da presidente Dilma Rousseff. Ainda de acordo com a carta, o sindicato sugere que os profissionais ausentes não deveriam ter descontos no salário, uma vez que isso “representaria a negação no próprio direito de greve que é assegurado pela Constituição da República de 1988”.

Notificado do Sind-UTE/MG à Secretaria de Educação, pedindo que o dia não seja descontado do salário (Foto: Reprodução)

Notificado do Sind-UTE/MG à Secretaria de Educação, pedindo que o dia não seja descontado do salário (Foto: Reprodução)

Num panfleto distribuído no Estado, o sindicato chama para a mobilização e aponta as principais reivindicações: “Contra o golpe do Judiciário, contra a Reforma da Previdência, Não ao Ajuste Fiscal, Não aos Cortes nos Investimentos Sociais, Em Defesa do Emprego e dos Direitos dos Trabalhadores, Fora Cunha e Contra o Impeachment”.

Panfleto explicando os motivos para ida a Brasília, entre eles, manifestação contra o pedido de impeachment da presidente Dilma (Foto: Reprodução)

Panfleto explicando os motivos para ida a Brasília, entre eles, manifestação contra o pedido de impeachment da presidente Dilma (Foto: Reprodução)

EXPRESSO tentou falar com os representantes do sindicato, mas não responderam ao pedido de entrevista até a conclusão da reportagem.

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